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domingo, 22 de fevereiro de 2015

Especial: Oscar 2015

Confira aqui a crítica de cada filme indicado a Melhor Filme ao Oscar 2015, e algumas das nossas apostas:

Os indicados a Melhor Filme são:

  1. American Sniper
  2. Birdman
  3. Boyhood
  4. The Grand Budapest Hotel
  5. The Imitation Game
  6. Selma
  7. The Theory of Everything
  8. Whiplash

Outros filmes indicados ao Oscar já criticados:
Apostas:

Melhor Filme: Boyhood 
Melhor Diretor: Alejandro González Iñárritu 
Melhor Ator: Eddie Redmayne 
Melhor Atriz: Julianne Moore 
Melhor Ator Coadjuvante: J.K. Simmons 
Melhor Atriz Coadjuvante: Patricia Arquette 
Melhor Roteiro Original: Boyhood 
Melhor Fotografia: Birdman ou O Grande Hotel Budapeste 
Melhor Filme Estrangeiro: Relatos Selvagens
Melhor Canção Original: Glory (do filme Selma)
Melhor Trilha Sonora:  A Teoria de Tudo
Melhor Edição: Boyhood ou Whiplash
Melhor Edição de Som: Birdman
Melhor Mixagem de Som: Whiplash
Melhor Figurino: O Grande Hotel Budapeste
Melhor Maquiagem: O Grande Hotel Budapeste
Melhor Direção de Arte: O Grande Hotel Budapeste 
Melhores Efeitos Visuais: Interestelar ou Guardiões da Galáxia

O Grande Hotel Budapeste (2014)

The Grand Budapest Hotel
Diretor: Wes Anderson
100 min.


No período entre as duas guerras mundiais, o famoso gerente de um hotel europeu conhece um jovem empregado e os dois tornam-se melhores amigos. Entre as aventuras vividas pelos dois, constam o roubo de um famoso quadro do Renascimento, a batalha pela grande fortuna de uma família e as transformações históricas durante a primeira metade do século XX. (AdoroCinema)

O diretor Wes Anderson sempre foi conhecido por sua exagerada simetria, sua brincadeira com as cores, seus personagens sempre bem caricatos, suas histórias cheias de reviravoltas, cenários extravagantes, câmeras estáticas, e mais um zilhão de características bem pessoais. Em O Grande Hotel Budapeste todas as suas características mais marcantes estão em perfeita harmonia, fazendo com que esse seja o melhor trabalho de todo o conjunto das obras do diretor até o momento. Se você já viu algum outro trabalho do diretor (como o incrível Moonrise Kingdom, de 2012) e aprovou, terá um prato cheíssimo aqui.

O Grande Hotel Budapeste nos apresenta uma história, de início, simples, porém que se desdobra ao decorrer dos minutos do filme, o que exige do espectador uma grande atenção aos fatos, mas não abusa deste fato. Você não é forçado a prestar atenção no filme, mas sim mergulhado lentamente na história. O filme não tem nenhuma pretensão de parecer real, mas é exatamente este fator que nos imerge na história, de tão bem escrita e reproduzida que ela é.

O filme conta com um elenco extremamente numeroso, com nomes bem importante, mas o destaque com certeza vai pra dupla principal interpretada por Ralph Fiennes e a revelação Tony Revolori. Com um humor britânico e até meio cínico, o filme se sustenta do início ao fim de maneira extremamente cômica, e que dá aquela sensação de "eu não deveria rir disso, mas não tenho pra onde correr". De resto, temos várias pequenas aparições especiais de atores como Tilda Swinston (que está irreconhecível). Willem DaFoe, Bill Murray, Owen Wilson, Edward Norton e outros, o que é sempre uma coisa bem legal de ver num filme,

A câmera do filme, assim como no resto da filmografia do diretor, é bem estática, movimentando-se apenas quando necessário, o que dá firmeza e "nome" ao diretor. Mas um fator diferenciado que acontece
nesse filme é que o estilo de câmera muda quando o filme muda o período de tempo em que a história se passa. Por exemplo, nas cenas aonde temos um período mais antigo, o filme é todo rodado em câmera 4x3 ("quadrada"), um fator muito interessante de ser analisado, que me pegou de surpresa.

Uma obra extremamente inovadora, tanto em aspectos técnicos, quanto em história. Que está despreocupada com a verossimilhança, de uma maneira bem positiva, e que satiriza sua própria história. Muito provavelmente, será o "Gravidade" do Oscar 2015: dominará os prêmios técnicos de uma maneira geral.

9 indicações ao Oscar 2015, incluindo "Melhor Filme"

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Selma - Uma Luta pela Liberdade (2014)

Selma
Diretora: Ava DuVernay
128 min



Cinebiografia do pastor protestante e ativista social Martin Luther King, Jr (David Oyelowo), que acompanha as históricas marchas realizadas por ele e manifestantes pacifistas em 1965, entre a cidade de Selma, no interior do Alabama, até a capital do estado, Montgomery, em busca de direitos eleitorais iguais para a comunidade afro-americana. (AdoroCinema)

Eu sempre achei a história dos negros estadunidenses no início do século XX uma coisa fascinante. Para ser mais honesto, sempre achei a história negra muito interessante. E a abordagem de Selma para essa situação é uma abordagem que eu nunca havia visto em nenhuma outra obra cinematográfica. O filme aborda, principalmente, o anseio negro aos simples direito do voto de uma forma grandiosamente interessante.

David Oyelowo não ter sido indicado ao Oscar de melhor ator foi uma tremenda injustiça por parte da academia. Ele representa com perfeição toda força, todo o cansaço, toda carga emocional depositada no personagem. É um personagem que cresce bastante durante as duas horas de filme. Esse crescimento é muito bem demonstrado, tanto em seus discursos motivacionais, quanto em sua relação com sua mulher Coretta, interpretada por Carmen Ejogo de uma maneira simples, mas bem profunda. O filme retrata muito bem a relação de King com o resto da população negra. Fica claro que King os via como irmãos, era uma relação muito pura, que o filme mostra com excelência.

Ainda sobre atuação, a ex-apresentadora Oprah Winfrey faz um papel coadjuvante no filme, que não aparece muito, mas sempre rouba a cena quando está presente. Tem uma cena em especial, que é uma das mais impactantes de toda a obra, devido ao show dado pela atriz. Não é a sua primeira aparição em uma obra cinematográfica, mas é, com certeza, a melhor. Merecia, até mesmo uma indicação ao Oscar.

Temos aqui uma palheta de cores limitada e voltada para cores como preto e marrom, ou tons mais
escuros de algumas outras cores, nas cenas em ambientes internos e bastante luz nos ambientes externos. Muitos objetos de madeira são espalhados pelos diversos cenários da obra, o que dá uma sensação bem legal. O filme não tentou contrastar suas cores com a cor negra, e, por mais simples que isso pareça, deu um resultado bem legal.

A direção do filme, que está nas mãos de Ava DuVernay, é  incrivelmente precisa e objetiva. Há, inclusive, uma cena envolvendo uma fumaça que é extremamente bem dirigida. A diretora marcou sua característica no filme, que resultou numa direção controlada e consciente. É uma direção que casa muito bem com a genialidade do roteiro do filme, que sempre mostra que o pensamento que permeava a maioria das mentes, principalmente da parte branca da população, é extremamente irracional.

Selma foi o filme mais esnobado do Oscar 2015, indicado apenas a Melhor Filme e Musica Original, com Glory, de John Legend. Com certeza, merecia uma indicação a melhor ator (David Oyelowo), trilha sonora, roteiro e direção, e uma indicação poderia sim ser dada a Oprah Winfrey, como atriz coadjuvante. Mas não podemos fazer nada em relação a isso... Porém continua sendo um filme necessário, que levanta um debate de até quando o preconceito e a descriminação vão durar. Assista Selma na primeira oportunidade que tiver, e não tenha medo de ir com bastante sede ao pote.

Viva o povo negro. Viva a liberdade.


Welcome to the story we call, "Victory"
The coming of the Lord
My eyes have seen the glory.

Glory (John Legend feat. Common)

2 indicações ao Oscar 2015, incluindo "Melhor Filme"

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Sniper Americano (2014)

American Sniper
Diretor: Clint Eastwood
132 min

 
Adaptado do livro American Sniper: The Autobiography of the Most Lethal Sniper in U.S. Militar History, o filme conta a história real de Chris Kyle (Bradley Cooper), atirador de elite das forças especiais da marinha americana. Durante cerca de dez anos ele matou mais de 150 pessoas, tendo recebido diversas condecorações por sua atuação. (AdoroCinema)

Eu não sou o maior fã de Clint Eastwood. Vi somente dois filmes dele, e até gostei. Dizem, não se pode falar de Clint Eastwood sem ter visto nenhum filme de faroeste dele, mas não vai ser o que vai acontecer aqui. Peço desculpas aos fãs (se é que eu preciso).

Eu nunca fui muito de filmes de guerra, principalmente pelo fato de a maioria não serem filmes muito justos. Geralmente, não são muito imparciais, que mostram o evento por si só, sem enaltecer um dos lados da moeda. E já digo, de antemão, que Sniper Americano só segue este padrão, mostrando a guerra no Iraque, que aconteceu em 2003, somente do ponto de vista americano, e subvalorizando o "outro lado" de uma forma tamanha. A maior prova disso é o personagem Mustafa, que é de extrema importância para o decorrer do filme, mas que não possui uma fala se quer. Isso pode não incomodar à alguns, mas ao meu ver, é um ponto bem negativo.

Porém, o filme acerta muito bem em se estender e aprofundar bastante nos fatores psicológicos de uma guerra, abordando seus fatores "históricos" (por mais que erroneamente) e seus fatores pessoais. O filme é dividido entre quatro "turnês", quatro fases diferentes da guerra, na qual a "equipe" de Chris faz parte. E são turnês com um certo período de tempo entre si. Nesses períodos o diretor mostra o lado pessoal da guerra, fazendo um balanço bem legal e resultando num filme que te deixa descansar por um tempo.

Como qualquer obra com temática de guerra que se preze, Sniper Americano tem uma edição muito
frenética e um som tridimensional que são excelentes. Quando a boa técnica do filme se juntou as cenas de guerra em si, brilhantemente dirigidas por Eastwood, o resultado foram cenas muito bem feitas, com um intervalo muito bem calculado, ou seja, tudo acontece no tempo certo, nada fica maçante. E aqui o diretor implanta um suspense de tirar o fôlego (literalmente) em cem porcento das cenas de ação, com um extremo suspense, e de decisões que podem custar vidas.

As atuações são todas de extrema qualidade, nisso não há dúvida. Com certeza, o destaque do filme vai pro Bradley Cooper, com uma indicação até merecida, mas que certamente não passará de uma indicação. O personagem interpretado por Cooper acaba sofrendo várias sequelas pós-guerra, o que é o mais notável de toda sua interpretação. Porém, o filme não foca apenas no protagonista, mas sim na relação dele com os personagens secundários, o que é feito com um cuidado extremo por parte do diretor Clint Eastwood e o roteirista Jason Hall. As várias sub-tramas que o filme apresenta dão cada vez mais carga emocional ao personagem, principalmente a relação do protagonista com sua esposa Taya, interpretada muito bem por Sienna Miller.

A trilha sonora aqui é um fator bem interessante. Ela tem um caráter bem experimental, que não casou com o resto do filme. Uma mistura da trilha de Transformers com uma espécie de faroeste. Mas o mais curioso é que, fazendo minhas pesquisas, descobri que uma parte da música do filme foi composta pelo próprio Clint Eastwood (pausa para o "WHAAAAAAT"), junto com Joseph S. DeBiasi. Ao meu ver, não foi uma dupla que deu muito certo não...
Então, sim, o problema do filme é só um. A falta de verossimilhança em alguns fatos e a exaltação estadunidense pesaram muito o filme, de uma forma extremamente negativa, o que ofuscou vários dos pontos positivos do filme. Então vá preparado para um patriotismo exagerado, mas se isso não te aflige, você terá uma ótima experiência cinematográfica.

6 indicações ao Oscar 2015, incluindo "Melhor Filme"

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Caminhos da Floresta (2014)

Into the Woods
Diretor: Rob Marshall
125 min.


Um padeiro e sua mulher (James Corden e Emily Blunt) vivem em um vilarejo, onde lidam com vários personagens famosos dos contos de fadas, como Chapeuzinho Vermelho (Lila Crawford). Um dia, eles recebem a visita da bruxa (Meryl Streep), que é sua vizinha. Ela avisa que lançou um feitiço sobre o casal para que não tenha filhos, como castigo por algo feito pelo pai do padeiro, décadas atrás. Ao mesmo tempo, a bruxa avisa que o feitiço pode ser desfeito caso eles lhe tragam quatro objetos: um capuz vermelho como sangue, cabelo amarelo como espiga de milho, um sapato dourado como ouro e um cavalo branco como o leite. Eles têm apenas três dias para encontrar tudo, caso contrário o feitiço será eterno. Decididos a cumprir o objetivo, o padeiro e sua esposa adentram na floresta. (AdoroCinema)

A adaptação cinematográfica do musical da Broadway, Into the Woods, chegou ao cinema depois de anos de produção. Não sou o maior fã da Disney, nem de musicais, mas não consigo dizer não à Meryl Streep. Confesso que fui ao cinema esperando decepção em história, mas grandiosidade técnica. Foi isso que aconteceu? Mais ou menos...

A Disney sempre foi muito perfeccionista no caráter técnico em seus trabalhos, principalmente em saber retratar grandiosas paisagens e planos bem abertos e claros. Mas aqui eles foram além. Uma coisa bem interessante, é que ele usou do aspectos técnicos pra fazer jus ao tema do filme. A câmera parece quase sempre estar escondida atrás de galhos de árvores ou folhas, o que dá um efeito incrível. E, como já foi dito, o filme foi baseado numa peça teatral. O diretor (que já fez filmes como Chicago e e Nine) teve uma ideia muito respeitosa ao representar alguns elementos, algumas cenas de uma maneira mais simples, como ele seria no teatro, principalmente na representação do Lobo Mau, interpretado por Johnny Depp.

Falando em atuação, o elenco principal está muito bem. Obviamente, Meryl Streep rouba a maioria das cenas interpretando uma Bruxa Má que quer retomar um elemento muito importante que já lhe pertenceu em tempos passados. Mas quem me surpreendeu bastante nesse filme foi Anna Kendrick. Quem diria que uma mera atriz da saga Crepúsculo estaria protagonizando um filme, e fazendo um trabalho muito bom. É uma atriz que ainda tem muito a crescer, e se seguir os caminhos certos, pode surpreender mais ainda daqui a alguns anos. A decepção do filme, em termos de atuação, é o Johnny Depp, infelizmente. Não é nem culpa do ator, mas de um talento completamente menosprezado por parte do roteiro. Depp aparece em nada mais, nada menos que duas cenas, e que, pra falar a verdade, nem são lá essas coisas...

Um dos pontos mais positivos da obra é a interação dele o espectador, que consegue prender sua atenção (mesmo dando a sensação de ter mais horas do que realmente tem). O filme brinca com ele mesmo em várias cenas, ridicularizando os próprios personagens, como em uma cena bem curiosa aonde os príncipes fazem piada com os estereótipos do próprio personagem, ou então quando tudo congela e Cinderella canta On the Steps of the Palace, uma música sobre seus pensamentos e sobre a sua primeira grande decisão da vida (duvido que você que já assistiu não completou a fala dela com "a shoe!"). As cenas musicais, em sua maioria, são as de maior qualidade do filme. O fato do filme ser um musical só adiciona ao filme, isso é fato.

O filme dá uma grande escorregada ao tentar fugir do padrão "príncipe e princesa felizes para sempre". Mesmo com a intenção sendo boa, o diretor me pareceu meio perdido ao apresentar três plot-twists no fim do filme, o que pode não agradar a todo mundo. Quando você acha que está tudo chegando ao fim, o diretor te pega pelo pé e te joga na poltrona de cinema de novo para mais uma hora de acontecimentos que não foram muito bem aproveitados. Acontece muita coisa logo de cara (algumas bem interessantes, outras nem tanto assim...), o que não deixa o espectador respirar por um bom tempo, o que deu uma sensação bem confusa.

A Disney vem, nos seus últimos trabalhos, desconstruindo seu tal padrão "príncipe e princesa felizes para sempre", o que é uma iniciativa bem legal, mas que já foi entendida. Já tivemos Valente, Frozen, Malévola, e agora Caminhos da Floresta para nos contar isso. E bem... já entendemos. A Disney já pode partir pra outra, mesmo não sendo essa a previsão. Já foram confirmadas a produção de um filme da Cinderella, previsto pra 2 de Abril deste ano, e um live action da Bela e a Fera, que será protagonizado por Emma Watson. A estimativa, é que estes filmes venham para, mais uma vez, reforçar a mesma ideia que a dos últimos, o que seria maçante e cansativo. Só nos resta esperar...

Resumindo, assista Into the Woods se você gosta de musicais, de contos de fada e da nova leva de filmes produzidos pela Disney. Não espere o filme mais coeso, original ou incrível do mundo. Espere se divertir e ver paisagens bonitas. Ah, e espere com certeza sair com a música tema em sua cabeça pra nunca mais sair...





Indicado a 3 Oscars



segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Relatos Selvagens (2014)

Relatos Salvajes
Diretor: Damián Szifron
122 min.


Diante de uma realidade crua e imprevisível, os personagens deste filme caminham sobre a linha tênue que separa a civilização da barbárie. Uma traição amorosa, o retorno do passado, uma tragédia ou mesmo a violência de um pequeno detalhe cotidiano são capazes de empurrar estes personagens para um lugar fora de controle.  (AdoroCinema)

Meu Deus do céu, que filme é esse. Eu realmente estava muito animado com esse filme depois de ver muita gente falando bem, e ainda mais depois da indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Mas eu realmente não estava preparado para o que fui apresentado em Relatos Selvagens. Ainda estou maravilhado com a overdose de qualidade que é esse filme. Sério mesmo.

O filme é composto de seis histórias: Pasternak, Las Ratas, El más Fuerte, Bombita, La Propuesta e por fim, Hasta que la Muerte nos Separe. Todos os contos possuem um incrível poder de persuasão que me deixaram vidrados do início ao fim. Isso cabe ao incrível roteiro de As seis histórias que, de início, podem parecer desconectas, mas a relação entre elas é incrível. Mesmo que bem inverossímeis, são histórias aonde o ser humano é levado ao extremo. O filme é bem ousado ao mostrar as coisas que as pessoas geralmente pensam, mas não fazem, mas não sinceros ao ponto de mostrarem suas consequências. E é realmente essa a graça do filme. Ele tem um humor quase sádico, que dá aquela curiosa sensação de culpa de gargalhar (alto) de coisas extremamente absurdas que são apresentadas pelo filme. Perdi as contas de quantas vezes eu fiquei boquiaberto com as situações apresentadas, principalmente na última história.

Todos os atores estão muito bem mesmo, porém há alguns que se destacam. Eu nunca havia entrado em contato com os filmes do Ricardo Darín (considerado o melhor ator argentino de todos os tempos), então fiquei bem animado quando sua história começou. Não digo que me frustrei, mas que no próprio filme há atores que se sobressaem muito mais, como Érica Rivas, no último conto Hasta que la Muerte nos Separe e Rita Cortese, como a cozinheira no conto Las Ratas. Os dois contos são incríveis, em minha humilde opinião, os melhores do filme.

Logo de cara, os relatos não possuem um elo. A construção do espectador da mensagem do filme é uma experiência bem singular e inacreditável. Não quero me aprofundar muito sobre isso, pois é bem legal ir conhecendo o filme aos poucos para tentar entender o que os relatos tem em comum. O resultado é surpreendente.


Em termos técnicos, se ressalta a câmera do filme, que é bem simples, porém bem ágil. Geralmente nas cenas em que o personagem está dirigindo um carro, a câmera fica presa em algum lugar do veículo, o que resulta em ângulos pouco convencionais e bem diferentes. O roteiro do filme é de extrema qualidade. Ele acerta em cheio em agarrar o público pelo pé, em chamar a atenção, de um jeito bem particular. Também acerta em diálogos muito bem pensados e, mesmo que pouco verossímeis, que funcionam de maneira grandiosa.

Relatos Selvagens é um filme de um humor bem sádico, que mostra o que o ser humano pode fazer em momentos de fúria ou descontrole, que resultou num filme incrivelmente satisfatório. Posso dizer que fazia bastante tempo que não via um filme tão original e com acontecimentos tão surpreendentes. Indico com todas as minhas forças!

1 indicação ao Oscar 2015

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

O Jogo da Imitação (2014)

The Imitation Game
Diretor: Morten Tyldum
114 min.


Durante a Segunda Guerra Mundial, o governo britânico monta uma equipe que tem por objetivo quebrar o Enigma, o famoso código que os alemães usam para enviar mensagens aos submarinos. Um de seus integrantes é Alan Turing (Benedict Cumberbatch), um matemático de 27 anos estritamente lógico e focado no trabalho, que tem problemas de relacionamento com praticamente todos à sua volta. Não demora muito para que Turing, apesar de sua intransigência, lidere a equipe. Seu grande projeto é construir uma máquina que permita analisar todas as possibilidades de codificação do Enigma em apenas 18 horas, de forma que os ingleses conheçam as ordens enviadas antes que elas sejam executadas. Entretanto, para que o projeto dê certo, Turing terá que aprender a trabalhar em equipe e tem Joan Clarke (Keira Knightley) sua grande incentivadora. (AdoroCinema)

Eu quero te pedir um favor, pode ser? Pense aí em alguma cinebiografia (que se preze, claro) que você já tenha visto. Qualquer uma. Eu creio que posso afirmar duas coisas: a primeira é que, muito provavelmente, o protagonista dessa história é alguém importante e, de certa forma, popular, que muitas pessoas conhecem (Steve Jobs, Renato Russo, Stephen Hawking... e por aí vai). A segunda é que o filme com certeza não gastou seu tempo mostrando coisas já imensamente conhecidas da vida da tal pessoa, e se mostrou, foi num caráter bem pessoal da figura retratada.

Agora imagine um filme, biográfico, de uma pessoa que não é tão conhecida assim. Cabe ao diretor citar os fatos importantes da vida da pessoa e retratar o emocional, os segredos da pessoa, para ter um resultado final, ao meu ver, de sucesso. E esse é o problema crucial aqui. O filme se responsabiliza apenas em apresentar os grandes feitos de Alan Turing (que realmente devem ser exaltados), mas nos dá uma noção bem pobre sobre os questionamentos do protagonista, principalmente no que se trata sobre sua sexualidade, o que faz total diferença no filme.

O filme por completo tem 114 min. que não são muito bem aproveitados. Existem cenas que são completamente dispensáveis, tempo este que deveria ter sido utilizado para explicar outros aspectos da vida do matemático inglês. Realmente, isso não tem justificativa...
Porém se há uma coisa que o filme acerta em cheio (é um pouquinho exagerado, mas nada demais), é em mostrar a fixação de Turing em seu objetivo de desvendar o código Enigma. A posição dele em relação à Guerra é quase indiferente. Ele é cem porcento determinado apenas em vencer o código. Pouco importa quem sairá ganhando no final.
O pobre do Benedict Cumberbatch está muito bem nesse filme. Uma coisa curiosa é que mesmo sem haver nenhum tipo de estudo de personagem muito aprofundado no filme, a atuação do Bennedict conseguiu dar várias características bem marcantes ao personagem. O estudo de personagem aqui sobra todo para Cumberbatch. Fica claro que o ator estava dando seu máximo para que seu personagem, assim como seus atos durante a trama, fossem compreendidos pelo espectador. Alan Turing com certeza não foi alguém comum. Com certeza teve vários problemas bem pessoais ao longo de sua vida (o que, inclusive, resultou em seu triste fim), que foram bem interpretados por Cumberbatch, mas claro, na medida do possível. Isso funcionou de uma maneira rasa, obviamente, pois sobrou apenas para o ator. O problema só se agrava no elenco coadjuvante, o que é até espantoso. O elenco do filme não é ruim, conta com Keira Knightley e Charles Dance, do Game of Thrones (já logo aviso que o personagem dele aqui é exatamente igual ao do seriado, Tywin Lannister. Não espere uma atuação muito diferente). São ótimos atores que não têm muito conteúdo pra trabalhar.

Em questões técnicas, o filme não apresenta muitas novidades. Tudo foi bem feito, porém não há nada muito diferente, ou espetacular. A reconstrução de época foi muito bem feita, mas nada que A Teoria de Tudo já não tenha feito de forma muito melhor. Se há alguma coisa a se exaltar é o pouco de planos muito abertos, o que dá uma claustrofobia muito interessante ao filme, e que dá uma sensação bem curiosa. Alan Turin passou um grande período de tempo desenvolvendo uma solução para o código Enigma, logo a maioria das cenas do filme são em quartos, ou salas de estudo.
Em suma, sinto dizer que temos um resultado mediano, que não é digno de todas as suas 8 indicações ao Oscar (com exceção da justíssima indicação de Benedict Cumberbatch). Um resultado final frustrante e até meio preguiçoso. Não é um filme de todo ruim, mas que quando acaba, nos dá aquela sensação de que não vimos tudo o que deveríamos. Eu estranhei o fato desse filme ter sido indicado e ganhado tantos prêmios, e prêmios importantes. Então tire suas próprias conclusões, mas recomendo que não vá com tanta sede ao pote...

8 indicações ao Oscar 2015, incluindo "Melhor Filme"

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Whiplash: Em Busca da Perfeição (2014)

Whiplash
Diretor: Damien Chazell
107 min


Eu toco bateria já devem fazer uns cinco ou seis anos. Se bobear até mais. Obviamente, quando ouvi falar sobre um filme sobre uma baterista (ainda por cima de jazz), já se despertou um interesse, mas o tempo foi passando e eu fui esquecendo de acompanhar seu processo de criação. Meses se passaram e quando eu checo a lista do Oscar, lá está: Whiplash. A única coisa que penso é que necessito ver esse filme. Eu realmente estava com as expectativas extremamente altas.

E com certeza não fui decepcionado.

O solitário Andrew (Miles Teller) é um jovem baterista que sonha em ser o melhor de sua geração e marcar seu nome na música americana como fez Buddy Rich, seu maior ídolo na bateria. Após chamar a atenção do reverenciado e impiedoso mestre do jazz Terence Fletcher (JK Simmons), Andrew entra para a orquestra principal do conservatório de Shaffer, a melhor escola de música dos Estados Unidos. Entretanto, a convivência com o abusivo maestro fará Andrew transformar seu sonho em obsessão, fazendo de tudo para chegar a um novo nível como músico, mesmo que isso coloque em risco seus relacionamentos com sua namorada e sua saúde física e mental. (AdoroCinema)

JK Simmons e Milles Teller têm uma química incrível juntos, por mais que os personagens de ambos sejam bem diferentes. Os dois estão muito bons, mas o destaque com certeza é o JK Simmons, como Fletcher, que ganhou o Globo de Ouro esse ano. Ele faz um personagem extremamente autoritário, que exige a mais completa perfeição de seus alunos, que pode parecer a pessoa mais odiável do mundo nos primeiros minutos, mas enquanto o tempo vai passando o espectador conhece mais do personagem e vai construindo aos poucos uma opinião sobre ele. Pra resumir, não tem como amar nem odiar o personagem. Ele é extremamente exigente (o que nos faz nos perguntarmos até que ponto o que ele faz é correto), mas ao mesmo tempo procura que seus alunos atinjam seus objetivos. Já o Milles Teller, como Andrew não é um protagonista muito convencional. Não é muito fácil gostar dele, mas mesmo assim é muito bom lutar pelos seus objetivos junto com ele. Você não gosta muito dele, mas quer que ele vá bem nas apresentações. É estranho, mas juro que faz sentido.

O trabalho do diretor Damien Chazell aqui foi excelente. Ele soube muito bem aproveitar dos aspectos técnicos do filme para retratar a tensão ou o alívio do filme, dependendo da cena. Para as cenas da banda, ou só do Andrew tocando, o diretor usa cortes rápidos, vários takes bem detalhados e curtos, que, quando seguidos, dão uma sensação de rapidez de tirar o fôlego, que está muito bem feita e que acrescenta muito ao filme. Já nas cenas mais lentas, mais calmas, a câmera geralmente está parada, simplesmente mostrando o que deve ser mostrado. Isso ficou incrível.

Uma das coisas mais legais de se ver no filme é, com certeza, as performances musicais que, acredite ou não, todas são reais. Me peguei boquiaberto várias vezes com a perfeição apresentada por parte não só do Milles Teller (que é um baterista desde criança, e diz que aprendeu sozinho), quanto pelos outros músicos do filme. Tocar jazz é muito difícil. Fingir erros, mais ainda. E a obra está repleta de cenas assim, o que é realmente impressionante (vai ver o Terence Fletcher é um alter-ego do diretor...).

Mas, como tudo não são só flores, o elenco mais coadjuvante do filme realmente não tem muita serventia. No caso, falando mais do pai do Andrew e da "namorada" dele. O pai dele tem um papel até bem legal e importante pra construção psicologica do personagem, ele é o único membro da família dele que sobrou após a mãe ter fugido após seu nascimento, mas o ator, Paul Reiser, não oferece nada demais. Mas o problema mesmo aparece na personagem Nicole, namorada de Andrew, interpretada por Melissa Benoist. Não é que ela atua mal, mas a personagem dela podia ser completamente retirada do filme que nada seria perdido. Ela é completamente inútil nesse filme.

Whiplash é perturbador em alguns momentos, mas isso com certeza não é um ponto negativo. Ele não chega a sufocar o espectador, sabendo aonde acabar com a pressão psicológica nos personagens no momento certo. E que tem uma cena final, quase sem falas, que é extremamente satisfatória. Não tem como não ficar de cara com esse final. Pra resumir: gosta de Jazz? Assista Whiplash. Gosta de bateria?Assista Whiplash. Gosta de música? Assista Whiplash. Gosta de... ah, que seja. Assista Whiplash.



 

5 indicações ao Oscar 2015, incluindo "Melhor Filme"

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (2014)




Birdman
Diretor: Alejandro González Iñárritu
119 min

No passado, Riggan Thomson (Michael Keaton) fez muito sucesso interpretando o Birdman, um super-herói que se tornou um ícone cultural. Entretanto, desde que se recusou a estrelar o quarto filme com o personagem sua carreira começou a decair. Em busca da fama perdida e também do reconhecimento como ator, ele decide dirigir, roteirizar e estrelar a adaptação de um texto consagrado para a Broadway. Entretanto, em meio aos ensaios com o elenco formado por Mike Shiner (Edward Norton), Lesley (Naomi Watts) e Laura (Andrea Riseborough), Riggan precisa lidar com seu agente Brandon (Zach Galifianakis) e ainda uma estranha voz que insiste em permanecer em sua mente. (AdoroCinema)

Esse filme é um filme bem peculiar... acho que particular seria uma palavra melhor. A - quase - metalinguagem do filme (ou seja, o filme falando sobre uma produção teatral, que se assemelha muito com o cinema em alguns quesitos) propõe um filme bem diferente. E é realmente isso que nos é apresentado.

O elenco de Birdman me surpreendeu. Michael Keaton está excelente, existem várias cenas na qual só ele está presente que são de cair o queixo. Mas o que mais é satisfatório aqui é que ninguém aparece por acaso, não há talento desperdiçado por parte tanto do elenco principal quanto do coadjuvante. O trabalho do Michael Keaton não é levar o filme inteiro nas costas, mas sim interagir com todos os personagens apresentados, tanto de uma forma mas grupal, quanto individual. Esse é um ponto bem positivo pra obra, todos os personagens tem uma simbologia, um significado bem individual aos olhos de Riggan Thomson o que enriquece a experiência do espectador. E um destaque deve ser dado para a Emma Stone e pro Edward Norton. Os dois têm uma certa "química" que aliviou algumas partes mais pesadas. Mas quando estão em cenas separadas, os dois também dão um show.

Um dos fatores que mais chama a atenção aqui é o fato dele parecer que não possui corte algum. A obra possui takes extremamente longos, o que merece muito destaque. Com certeza foi muito dificil "guiar" esse filme. A câmera também é bem singular, bem minimalista, não apresenta ângulos incríveis ou algo do tipo, porém mostra uma continuidade muito bem feita. Só vendo pra entender...

Com certeza a direção aqui foi uma tarefa árdua para Alejandro González Iñárritu, justamente pelos fatos já citados. Ele já tinha feito um excelente trabalho em "Biutiful" (2010), mas aqui ele está fenomenal. Desculpa Linklater, mas o Oscar de melhor diretor vai para Alejandro González Iñárritu (ou realmente não há justiça alguma nesse mundo).

A trilha sonora é bem interessante, mas chega a ser um pouco maçante. Ela é composta quase que exclusivamente por apenas uma bateria, o que combina em algumas cenas, mas em outras não. A história dá uma explicação para essa trilha sonora logo no início (em um pequeno detalhe, bem rápido até, de uma cena, mas que é hilária), mas que é utilizada de maneira um pouco exagerada.

Birdman faz uma crítica muito pesada sobre "a geração blockbuster" e sobre como, nos dias de hoje, é difícil para alguém que já foi famoso há alguns anos atrás voltar aos "dias de ouro" por puro mérito próprio e talento, e mostra a dificuldade de produção, as dificuldades para lidar com os atores e os bastidores de uma peça. Com um final surpreendente, Birdman é um filme excelente, que pode sair de mãos cheias na cerimônia do Oscar.



Música tema de "Birdman"


9 indicações ao Oscar 2015, incluindo "Melhor filme"


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Invencível (2014)

Unbroken
Diretor: Angelina Jolie
137 min


O drama retrata a história real do atleta olímpico Louis Zamperini (Jack O'Connell), que sofre um acidente de avião, e cai em pleno mar. Ele luta durante 47 dias para reencontrar a terra firme, e quando consegue, é capturado pelos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. (AdoroCinema)

Angelina Jolie... a senhora me fez chorar em público. Muito obrigado.

A cinebiografia de Louis Zamperini foi retratada de uma forma muito diferente aqui. Ao invés de "elevar o nível" de Louis, de dar ao "personagem" uma superioridade em relação aos demais, a diretora escolheu simplesmente focar em um personagem para demonstrar uma situação vivida por uma gama enorme de pessoas. Claro que o filme aborda várias particularidades da vida de Louis, coisas que aconteceram apenas com ele, mas também deixa claro que os outros soldados do exercito estadounidense também tiveram seus momentos marcantes e traumáticos.

A fotografia do filme é brilhante. Mesmo com um cenário não muito agradável, Jolie conseguiu
enquadramentos perfeitos e cenas lindíssimas, contando bastante com ambientes externos e beleza natural. Os ambientes sempre claros caíram muito bem no filme, e reforçaram bem a ideia de persistência do protagonista. Só vendo pra entender o ótimo trabalho que foi feito aqui. Uma estatueta seria justíssima.

Jack O'Connell faz uma interpretação boa como Louis Zamperini, mas nada demais é apresentado. Ele cumpre sua tarefa com sucesso, mas não apresenta mais do que o necessário. No elenco de apoio, destaca-se Miyavi, um cantor japonês que aqui interpreta Mutsushiro Watanab, um personagem odiável do início ao fim, que está muito bem do início ao fim, tanto pela transformação física, quanto pela presença do ator. Um ator japonês de presença realmente seria muito importante para o filme, e isso o enriqueceu de uma maneira bem particular.

A trilha sonora "à lá" John Williams do filme é muito boa, conseguiu acompanhar bem o filme, dando o tom certo para as cenas, sem exagerar muito, o que é sempre bom.

Invencível nos apresentou grandiosamente a brilhante história de Louis Zamperini, mas uma das decisões mais importantes da vida do "personagem" está apenas naquelas letrinhas finais do filme que toda cinebiografia tem, que conta o que aconteceu com os "personagens"  tempos depois do filme. Confesso que não sei se isso é um ponto positivo ou negativo. A última cena do filme (com trilha sonora dos britânicos do Coldplay), que conta com o real Louis Zamperini, é extremamente simples e completamente emocionante, que me fez começar a rir e chorar ao mesmo tempo, de uma forma bem... honesta, digamos assim. E olha que, sinceramente, não sou a pessoa mais chorona do mundo não...

Fica aí a dica de um filme incrível, sensível e indispensável.



"I'd made it this far and refused to give up because all my life I had always finished the race"
Louis Zamperini


3 indicações ao Oscar 2015


O Abutre (2014)

Nightcrawler
Diretor: Dan Gilroy
117 min



Enfrentando dificuldades para conseguir um emprego formal, o jovem Louis Bloom (Jake Gyllenhaal) decide entrar no agitado submundo do jornalismo criminal independente de Los Angeles. A fórmula é correr atrás de crimes e acidentes chocantes, registrar tudo e vender a história para veículos interessados. (AdoroCinema)

O Abutre é um filme que te pega de surpresa. O começo do filme é bem genérico, temos o personagem Louis procurando por emprego. E já somos introduzidos para a essência do personagem. E e impossível ter algum tipo de empatia pelo protagonista do filme, o que é feito propositalmente, logo, não é um aspecto negativo. Louis é um personagem que não tenta esconder os "jeitinhos". Não pretendo dizer muito sobre esse personagem, pois o estudo de personagem do filme é muito bom, mas é como se o filme avisasse ao espectador aonde ele está se metendo. A continuidade do filme é por conta do espectador.

O filme é uma sucessão de eventos chocantes que o personagem Louis, junto com seu parceiro Rick (Riz Ahmed) fazem cobertura para a venda em jornais locais. Isso teria falhado (assim como algo parecido falhou grandiosamente em Bling Ring) se o filme não crescesse nesse sentido. Cada caso que a dupla se envolve é bem diferente do outro e cada um afeta de uma maneira diferente a vida e a maneira de lidar com as coisas do protagonista.

Louis Bloom foi interpretado majestosamente por Jake Gyllenhaal. De todos os filmes que vi com o ator, este se destaca da uma forma grandiosa. Como já foi dito, o estudo de personagem aqui é incrível, graças a direção comprometida de Dan Gilroy, que pecou em alguns outros aspectos (como os listados no parágrafo seguinte), mas acertou em cheio quando aprofundou desse tanto o personagem de Jake Gyllenhaal, que é o foco do filme em 100% das cenas.

O filme em si é um filme bom, com uma temática pouco abordada, mas em algumas cenas o filme apela pra alguns recursos bem "blockbusters", que são necessários, sim, para alguma cenas, mas creio que aqui foram usados em demasia. Até me espanta o filme ter concorrido ao Globo de Ouro e estar previsto em várias categorias no Oscar, incluindo melhor filme. Vamos esperar pra ver.
No fim das contas o que fica é a indignação com o personagem e um filme interessante de ser visto, mas
que dá uma leve impressão, em algumas cenas, de ser um filme genérico.Um filme bom, que pode até ser indicado à alguns prêmios, mas provavelmente sairá de mãos vazias...


1 indicação ao Oscar 2015

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

A Teoria de Tudo (2014)

The Theory of Everything
Diretor: James Marsh
123 min


É difícil falar sobre biografias (ainda mais depois da polêmica que rolou com Foxcatcher, filme que já foi criticado aqui) principalmente de um dos nomes mais importantes da ciência mundial, como Stephen Hawking. E com certeza foi um desafio muito grande para o diretor James Marsh retratar a vida de Hawking. Um detalhe se quer, pode mudar todo o foco do filme e a aparência da pessoa representada para o público. Porém, foi um trabalho feito com tanto cuidado, que se tornou uma obra de arte belíssima.

Baseado na biografia de Stephen Hawking, o filme mostra como o jovem astrofísico (Eddie Redmayne) fez descobertas importantes sobre o tempo, além de retratar o seu romance com a aluna de Cambridge Jane Wide (Felicity Jones) e a descoberta de uma doença motora degenerativa,  quando ele tinha apenas 21 anos. (AdoroCinema)

Numa cinebiografia de um dos cientistas mais importantes do mundo, é implícito que a ciência deveria estar presente numa maioria das cenas do filme, o que de fato acontece. Mas, graças à um ótimo roteiro, as tais cenas são autoexplicativas. Convenhamos, o cara é um dos maiores físicos de todos os tempos. Seria muito mais fácil ao roteirista, Anthony McCarten, simplesmente jogar milhões de teorias sem explica-las, porém não existe nenhuma ponta solta sobre nenhum fato científico mencionado por Hawking ou algum dos seus professores ou companheiros de classe. No caso deste filme então, a compreensão dos termos e teorias científicas é extremamente necessária para o maior aproveito da história. A ciência no filme é usada, não somente, como "arma principal", ou até mesmo uma válvula de escape de Stephen, mas como uma maneira de incrementar e de detalhar mais os fatos vividos pelos personagens, de uma maneira bem singular. É curioso ver como suas ideias filosóficas e científicas vão mudando drasticamente ao longo do tempo.

Não vou botar imagens da atuação de Eddie Redmayne com o estágio mais avançado da doença e também não sugiro nenhuma pesquisa. O ator rouba todas as cenas do filme de uma forma gradativa. Com certeza a maquiagem do personagem contribuiu para a atuação do ator, mas Eddie Redmayne com certeza enfrentou um duro trabalho ao interpretar Stephen Hawking na telona., mas um trabalho que resultou num montante impressionante. Toda a dificuldade que surgiu na vida de Hawking foi bem retratada, mas nada que apelasse muito ao sensitivo. É um trabalho dosado, que não exagera e faz tudo muito bem. Uma estatueta do Oscar é mais do que merecida...
 
O elenco de apoio também está muito bom, mas nada que seja digno de premiações, o que contradiz, porém, com as listas de previsões do Oscar e das listas oficiais de concorrentes ao Globo de Ouro e do SAG Awards... vamos ver quem vai sair com o prêmio na mão.

O filme construiu a Cambridge dos anos 60 de uma maneira incrível e natural, usando um vocabulário mais formal e se adequando à vestimenta e arquitetura, e fazendo referências à cultura POP da época. A obra deixa o espectador mergulhado dentro da época em que o filme se passa, o que aumenta consideravelmente a experiência do filme. Um Oscar de Direção de Arte seria justo.

A Teoria de Tudo é um filme que mesmo tendo tudo pra ser um filme depressivo ou angustiante, não deixa as restrições da doença sobreporem a busca incessante de Hawking pelo saber. Mostra muito bem que Stephen Hawking é uma pessoa feliz, que dribla as limitações de uma doença para aproveitar o que a vida ainda lhe oferece. Filmaço.

5 indicações ao Oscar 2015, incluindo "Melhor Filme"

domingo, 4 de janeiro de 2015

Garota Exemplar (2014)

Gone Girl
Diretor: David Fincher
149 min


Eu com certeza sou uma pessoa meio suspeita pra falar sobre Gone Girl. Já era fã do livro antes de assistir ao filme, e David Fincher é um dos meus diretos favoritos. Desculpem-me, mas não tem como ser imparcial aqui.

Vocês foram avisados. Agora vamos lá.


Amy Dunne (Rosamund Pike) desaparece no dia do seu aniversário de casamento, deixando o marido Nick (Ben Affleck) em apuros. Ele começa a agir descontroladamente, abusando das mentiras, e se torna o suspeito número um da polícia. Com o apoio da sua irmã gêmea, Margo (Carrie Coon), Nick tenta provar a sua inocência e, ao mesmo tempo, procura descobrir o que aconteceu com Amy. (AdoroCinema)

O filme segue como uma investigação policial comum até a metade do filme. Daí pra frente, o filme muda radicalmente. Nick, é um dos maiores suspeitos do desaparecimento de sua mulher, Amy, o que dá uma carga emocional pesada ao personagem e que é cada vez mais intensa. Eu tinha muito medo da atuação do Ben Affleck nesse filme, não é um ator que eu aprecie muito. Mas pela primeira vez posso dizer que ele realizou um bom trabalho aqui. Ele conseguiu interpretar (e muito bem) toda a carga emocional do personagem, o que foi, com certeza, uma tarefa muito difícil. Mas quem rouba o filme aqui é a Rosamund Pike interpretando a "gone girl" Amy Dunne. Como disse, o  filme muda bastante depois da metade, e é aí que Pike dá seu show. Não vou comentar muito sobre isso, pois eu acabaria falando demais, mas se tem algo que eu possa dizer é que um Oscar cairia bem...

A direção do David Fincher está, mais uma vez, brilhante. O filme tem um tom escuro, neblinoso, com muitas cenas internas e durante a noite e uma trilha sonora sombria. Todos os aspectos técnicos do filme funcionam para reforçar a pressão psicológica vivida pelo personagem principal, Nick. David Fincher estava muito seguro e livre aqui. Conseguiu dar o tom certo ao filme e abusar dos recursos oferecidos pelo cinema para incrementar a história apresentada pelo filme.

Em termos de adaptação, é um filme excelente. Houveram rumores antes do lançamento do filme, de que o mesmo teria um final diferente do livro, o que desanimou muitos dos fãs da obra literária. Porém, foram só rumores. Particularmente, eu queria bastante que mudassem o final do filme. É um final em aberto, que pode não agradar a todos, mas que não estraga a obra por completo.

Gone Girl é um filme incrível, com bastante identidade na direção de David Fincher, e com um clímax chocante, que te faz arregalar os olhos e ficar sedento para acompanhar o resto da trama. Um dos melhores filmes de 2014.

Atualização: Tive que registrar minha indignação aqui: Gone Girl só recebeu uma indicação ao Oscar (melhor atriz para Rosemund Pike). O maior injustiçado da vez, com certeza. Cadê melhor filme (sendo que só temos oito indicados este ano, logo duas vagas estão sobrando)? Cadê melhor roteiro adaptado? Melhor diretor? Essa academia...

1 indicação ao Oscar 2015

Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo (2014)

Foxcatcher
Diretor: Bennett Miller
129 min
 

Vamos começar com a sinopse: "Campeão olímpico de luta greco-romana, Mark Schultz (Channing Tatum) sempre treinou com seu irmão mais velho, David (Mark Ruffalo), que é também uma lenda no esporte. Até que, um dia, recebe um convite para visitar o milionário John du Pont (Steve Carell) em sua mansão. Apaixonado pelo esporte, du Pont oferece a Mark que entre em sua própria equipe, a Foxcatcher, onde teria todas as condições necessárias para se aprimorar. Atraído pelo salário e as condições de vida oferecidas, Mark aceita a proposta e, assim, se muda para uma casa na propriedade do milionário. Aos poucos eles se tornam amigos, mas a difícil personalidade de du Pont faz com que Mark acabe seguindo uma trilha perigosa para um atleta." (adorocinema). Não vou entrar muito na história do filme, pois cada detalhe pode fazer a diferença na compreensão da história.

O segredo desse filme é na combinação excelente de atuação e roteiro. Este último está por conta de E. Max Frye e Dan Futterman, que repetiram na "fórmula" usada em Capote (outro filmaço!) que, obviamente, deu certo. Os roteirista deixaram uma boa parte da história nas entrelinhas do texto. Não é tudo que acontece, nem toda a carga emocional dos personagens que é mostrada nas cenas de uma maneira mais literal, o que enriquece o filme de metáforas e prende o espectador a montar o quebra-cabeça emocional de cada personagem (deu pra entender? Mais ou menos?).

As interpretações do trio principal são divinas. Mark Rufallo e Steve Carrell estão irreconhecíveis. E aqui, Carrell provou que é um excelente ator. Um Oscar de Coadjuvante cairia muito bem. E Channing Tatum mostrou pra todo mundo que é um ator sério, que não é mais o "querido John" e que está pronto pra começar sua carreira em filmes mais sérios.

Foxcatcher é um filme sobre luta, sobre esporte. Mas não deixe isso te levar a ver o filme: a luta aqui é bem explorada no quesito emocional e individual. Cada personagem lida da luta de uma maneira completamente diferente (e eis mais um bom exemplo de um ótimo roteiro. A gente não percebe logo de cara a particularidade de cada um, mas somos apresentados a cada personagem de uma forma gradativa, até conhecermos bem cada um).
A edição desse filme também merece reconhecimento. Ela apresenta somente o que é necessário para a história do filme, e por meio dessas cenas cabe ao espectador construir o conceito de cada personagem do trio principal. Nada do filme está em excesso por causa do incrível trabalho de Jay Cassidy, Stuart Levy e Connor O'Neill (a gente geralmente não da valor à edição, não é? Nesse filme um bom trabalho com tal serviço foi inevitável. Tente prestar atenção neste detalhe, que merece seu reconhecimento).
Foxcacther é um filme que te prende do início ao fim, com um desfecho impressionante que me deixou deveras intrigado. Agora só resta esperar pra ver quantas indicações ou (quem sabe) estatuetas esse filme vai receber...


3 indicações ao Oscar 2015